27 julho 2011

NIGHTFEAR, parte 2.


Já estava acostumada e ser esquecida assim pelo pai, mas esse dia tinha sido diferente. Ele sempre dizia que ia e no final acabava não indo mas sempre ligava pra avisar o motivo. Hoje ele disse ir e não foi, não ligou, não mandou recado pelo vizinho que trabalhava no mesmo escritório que ele, nada. Deixou assim, deixou que ela se preocupasse.

O telefone tocou outra vez.  No identificador de chamada estava o mesmo numero de antes. Deixou que insistissem na ligação. Não atendeu. A campanhia em seguida toca. Quando abre a porta dá de cara com o vizinho, amigo de escritório do seu pai.
-        Preciso falar com teu pai.
-        Ele está no trabalho, não veio almoçar.
-        Não. Ele não apareceu hoje lá
-        Como não? - a preocupação se tornara notória em seu rosto.
Lauren sentiu um aberto no coração. As vezes a tristeza que tinha do pai tomava conta de si, mas o amor que permanecia entre eles era muito forte. Não havia demonstrações afetivas sempre. Uma vez ou outra ele a abraçava. Não era um pai presente como todos os pais da vizinhança, mas era o pai que ela amava.
Na noite passada ele a tinha colocado pra dormir. Então relembrou do abraço apertado e acolhedor que seu pai tinha dado. Pegou o celular e ligou com a esperança que ele atendesse, mas nada, nem sequer chamava, caia direto na caixa postal. Então a pobre Lauren ficou pensativa, e assimilou as coisas:

                                                  Meu pai não foi trabalhar. 
                                                       Não veio almoçar. 
                                                          Nem sequer ligou pra dar noticias,
                                                             pra dizer onde estava e se estava bem. 
                                                                                                        Só se... NÃO!


Lauren recordou da ligação estranha que recebeu na manhã, ficou desesperada. Entardecia e nada de noticias, estava sozinha com seus pensamentos, com seus fantasmas interiores, com o medo de ter acontecido algo com a pessoa que mais amava embora não demonstrasse.
Foi para o quarto do pai, pegou a camisa que ele mais gostava e vestiu. Deitou na cama, deixando o espaço do pai, e lágrimas começaram a surgir do teu olhar. Lauren se sentia só. E a angustia lhe fazia ter medo. 


Pobre menina, nunca se sentiu tão sozinha, tão abandonada, tão... Lauren chorava de soluçar nesse exato momento, e nada a fazia parar. Não havia ninguém em casa para conter suas lágrimas. Isso pode ser engano, pensou ela. Mas a vontade que tinha era de sair pela cidade em busca do pai. Não queria que nada que pensasse fosse verdade. 


Então pegou o bilhete que ele havia deixado preso à geladeira e ficou lendo as mesmas palavras durante um bom tempo.


Se cuida filha, te amo!

- Me cuidar como se você não está aqui ? - As palavras tinham dificuldade de sair diante de tantas lágrimas. O Te amo dito no final fazia teu coração doer, aquela tinha sido a primeira vez que ela viu essas palavras vindo do seu pai. Por muito tempo ele a culpou pela morte de sua mãe, mas aos poucos percebeu que não havia escolhas. Então o amor foi surgindo do acaso, um amor escondido, e que na noite passada pelo abraço apertado e que hoje por essas palavras, se tornou forte. 
Postado por Wish Models

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